No auge da chamada “Política do Café com Leite” *, uma propriedade como a Fazenda São João era o lar, permanente ou temporário, de mais de uma centena de pessoas. A maioria morava nas colônias, que eram as casas construídas para as famílias que vinham trabalhar no plantio e na colheita do café, mas também havia profissionais com diferentes formações que podiam integrar a comunidade da fazenda, como farmacêuticos, professores, médicos e sapateiros. A concentração humana na zona rural provocava o aparecimento de povoamentos e vilas, que passavam a desenvolver um florescente comércio para abastecer a demanda de produtos nas propriedades.

     A cultura caipira formou-se como o resultado das relações entre as pessoas que habitavam as fazendas e as pequenas vilas rurais. A produção do café, com sua rotina de plantio, manejo e colheita, identifica-se estreitamente com o universo do caipira, ocupando um lugar de primeira importância nos aspectos humanos e sociais do cidadão paulista, que podem ser observados na maneira de agir, falar e pensar das pessoas de nossa região.

– O café foi o principal condutor econômico na evolução do estágio agrário para o industrial, principalmente em São Paulo.

– A lavoura cafeeira exigia uma numerosa mão de obra, atraindo as grandes imigrações que povoaram o interior do estado de São Paulo. A competição comercial no ramo do café promovia uma complexidade cada vez maior de seu processo produtivo, gerando uma absorção crescente de mão de obra especializada.

– O comércio do café também fez surgir toda uma infraestrutura tecnológica e industrial, exigindo a construção de rodovias e estradas de ferro, o aparelhamento de portos, além de provocar o aparecimento de grandes cidades no interior do nosso estado.

– O café foi o primeiro passaporte com o qual se credenciou o comerciante brasileiro para marcar presença nas principais mesas de negociações internacionais.

 

Vetor

A política do café com leite foi uma prática de revezamento do poder nacional executada na República Velha entre 1889 e 1930, por presidentes civis fortemente influenciados pelo setor agrário dos estados de São Paulo – mais poderoso economicamente, principalmente devido à produção de café – e Minas Gerais – maior polo eleitoral do país da época e produtor de leite.

Revezavam-se no poder representantes do Partido Republicano Paulista (PRP) e do Partido Republicano Mineiro (PRM), que controlavam as eleições e gozavam do apoio da elite agrária de outros estados do Brasil.

Textos do Jornalista Luís Paulo Cesari 

Referência: Roberto Costa de Abreu Sodré (Prefácio do livro Fazendas Paulistas do Ciclo do Café 1756-1928, de Cândida Maria de Arruda Botelho.

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